segunda-feira, 15 de abril de 2013

Criança com comportamento de adulto

Postado por Julianna Barroso às 11:19



Foi uma das primeiras coisas que eu vi hoje na INTERNET. Assim que cheguei e loguei no FB foi uma das primeiras postagens. Olhei os comentários e a polêmica já estava "comendo solta". Uns diziam que com 15 anos a menininha já estaria grávida, aí o outro rebate, 15 anos nada, com 10 anos logo. Outro defende dizendo, mas é só uma criança...

É o tipo de situação que me deixa triste com o que o Brasil está produzindo. Certo quem diz que é só uma criança. Com certeza ela nem sabe o significado do que é cantado nas músicas que ela dança. Mas, ela está num meio em que é certeza ela continuar nessa dança e que, o que diz a música virar realidade pra vida dela. E as músicas só chamam as mulheres de cachorras, e daí pra pior... Por essas e outras que o Brasil tem a imagem de "esculacho", de prostituição, de mulher fácil, um país onde crianças de 2 ou 3 anos dançam com um balançado de bunda de quem está transando. O que vai ser feito dessa geração? Enquanto as pessoas acharem bonitinho isso só tende a piorar. Gente, criança é pra ser CRIANÇA. É pra escutar e cantar Galinha Pintadinha, música de criança.

Pesquisando sobre o assunto achei uma reportagem que cai bem aqui e que fala tudo, na Folha de São Paulo, um artigo da Rosely Sayão.


CRIANÇA NÃO DEVE SER TRATADA COMO MINIATURA DE ADULTO


Miniatura de periguete


DA FOLHA UOL
Que as crianças têm cada vez menos infância é um fato já constatado e conhecido por muita gente.

Há mais de 20 anos que teses, ensaios e livros produzidos por estudiosos das mais diversas áreas do conhecimento alertam para essa questão tão importante.

Não há dúvida de que foi o mundo que mudou. Muitas pessoas acreditam que as crianças da atualidade são diferentes porque já nascem assim: mais conectadas com o que acontece à sua volta, mais cientes do que querem, mais sabidas e muito menos afeitas à obediência.

Mas não. O que acontece, na verdade, é que elas são estimuladas desde o primeiro minuto de vida, e os adultos que as cercam estão ocupados demais consigo mesmos e com sua juventude para ter a disponibilidade de construir autoridade sobre as crianças.

Além disso, os adultos estão muito orgulhosos com os feitos dos filhos que aí estão, cada vez mais, simplesmente para satisfazer os caprichos dos pais.

Tudo --absolutamente tudo-- o que acontece no mundo adulto está escancarado para as crianças.

Estão escancarados aos mais novos crimes e castigos, corrupção na prática política, desumanidades, destruição e violência de todos os tipos, desde a mais pesada à mais cotidiana (que nem sempre é reconhecida como uma forma de violência).

E as crianças sofrem e sofrem com tudo isso, mas sem saber. Ainda. Elas ainda não sabem que mais de dez por cento de suas vidas --a parte que corresponde ao período chamado de infância, no qual poderiam se dedicar a brincar de maneira infantil-- está se esvaindo em consequência dos caprichos dos adultos. Para ilustrar esse ponto, vou citar aqui dois fenômenos recentes.

Creio que você já ouviu, caro leitor, a palavra "periguete". Já está até no dicionário.

É uma expressão da linguagem informal, surgida na periferia da capital baiana, que tem diversos significados, dependendo de quem a usa e em que contexto.

No quesito aparência, o termo se refere a mulheres que se vestem com roupas curtas, decotadas e muito justas, deixando muito corpo em exposição.

Os trajes usados por essas mulheres são considerados vulgares, mas há quem não aceite esse sentido. Hoje, temos estilistas dedicados a criar linhas de roupas com esse perfil, tamanho é o sucesso que o estilo tem feito com o público feminino.

Pois é: agora muitas mães estão vestindo suas filhas como "periguetes".

A garotada gosta de aderir ao personagem principalmente porque papéis com esse estilo, em novelas, têm tido bastante destaque e seduzido a criançada.

Pudera: corpo à mostra, expressão corporal exagerada, voz demasiadamente alta tem tudo a ver com criança, não é verdade?

O que as crianças desconhecem é o caráter extremamente erotizado dessa fantasia que elas andam vestindo.

Claro que, para as crianças, é apenas o chamado "look periguete" que importa e não o comportamento de mulheres adultas que assim se reconhecem. Mas precisamos entender que erotismo é coisa de gente grande para gente grande.

Agora, como se não bastasse travestir crianças pequenas como "periguetes", muitos pais também as levam a "baladinhas" com direito a DJ, muita dança, muita gente, pouca iluminação etc. Igualzinho ao que acontece no mundo adulto.

Enlouquecemos ou o quê?

Com a expectativa de vida em torno dos 75 anos, por que não deixamos nossas crianças em paz para que possam viver sua infância? Afinal, depois de crescidas, elas terão muito tempo para fazer o que é característico do mundo adulto. Adiantar por quê?

Em nome de nossa diversão, só pode ser.

Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1171975-miniatura-de-periguete.shtml

Vamos, ao menos, refletir sobre isso. É o mínimo!
:*


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